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Existem mais de 27.000 espécies conhecidas de orquídeas no mundo; não é de se admirar, portanto, que existam inúmeras sociedades dedicadas a essas flores tão delicadas. Elas são bonitas, coloridas, possuem uma fragrância maravilhosa, e o melhor: são fáceis de cuidar. (Bastam alguns cubos de gelo no vaso por semana e… that’s it!). Algumas orquídeas inclusive exalam odor do corpo humano, de fungos ou outros mais “exóticos”, então da próxima vez que comprar uma orquídea para sua namorada(o), não esqueça de dar boa cheirada nela antes.

Como se vê, as orquídeas são muito mais espertas do que imaginamos. Uma das razões pelas quais elas se tornaram uma planta tão conhecida é que muitas delas desenvolveram uma maneira brilhante e sorrateira de atrair polinizadores. Ao invés de atrair insetos com um doce néctar, algumas orquídeas os enganam imitando seus alimentos favoritos, ou mesmo potenciais parceiros ou rivais. Os disfarces das orquídeas muitas vezes podem tomar a forma de certos cheiros, dependendo dos aromas preferenciais de seus polinizadores favoritos; por exemplo, a orquídea que exala odor do corpo humano prefere ser polinizada por mosquitos.

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Dracula lafleur, ou simplesmente “orquídea Drácula”

Claro, uma vez que inseto pousa na orquídea, ele logo nota isso e, presumivelmente, voa para longe se sentindo estúpido o e irritado. Mas a missão da orquídea foi realizada com sucesso, já que o inseto inadvertidamente carrega o pólen consigo quando vai embora – pólen que será depositado em uma outra orquídea mais tarde, depois que a curta memória do inseto fizer com que ele caia na mesma armadilha ao se aproximar de outra orquídea.

É um feito notável uma planta ser capaz de operar tal truque, e por essa razão, cientistas dos EUA têm tentando descobrir exatamente como elas fazem isso – usando a impressão 3D, claro. É difícil determinar qual parte de uma planta atrai polinizadores, e como – seria imitando um perfume, ou uma aparência, ou ambos? Os cientistas desenvolveram vários testes usando flores falsas feitas de qualquer tipo de material, de papel a bolas de algodão, aos quais são aplicados diferentes odores. Isto lhes permite observar quais odores atraem determinadas polinizadores, mas não lhes diz muito sobre como os insetos respondem aos disfarces visuais – que é onde a impressão 3D entra em cena.

Tobias Policha, um especialista em plantas da Universidade de Oregon, conduziu recentemente um estudo focado em uma determinada espécie de orquídea conhecida como Dracula lafleur, ou “orquídea Drácula”. A espécie, que cresce em florestas nebulosas do Equador, é uma planta complexa, com grandes pétalas salpicadas em marrom e uma outra, branca, estranhamente posicionada em seu centro. Essa pétala, conhecida como labelo, se parece muito com os cogumelos que crescem nas proximidades, sendo a favorita das moscas de fruta.

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Pétala posicionada no centro da orquídea Drácula se assemelha a um tipo de cogumelo branco.

A aparência da orquídea Drácula é praticamente impossível de reproduzir em papel, por isso Policha e sua equipe recrutaram Melinda Barnadas, co-autora do estudo e artista visual na Universidade da Califórnia, em San Diego, para ajudar com seu expertise em impressão 3D. Melinda é o proprietária do Magpie Studio, que cria modelos e ilustrações para museus e pesquisadores, e usou sua experiência para escanear as orquídeas e imprimir em 3D réplicas realistas de silicone. A equipe, então, passou a trabalhar nos modelos 3D, aplicando diferentes padrões de cores e odores, e colocando as réplicas entre as orquídeas reais. Eles também criaram flores a partir de uma mistura de peças falsas e reais, para confundir ainda mais as moscas.

O resultado do estudo revelou que o labelo que se parece com um cogumelo era de fato a parte da planta que atraía as moscas. Enquanto tal fato não chega a ser surpreendente, os cientistas descobriram que tanto o odor como a aparência são igualmente importantes para o disfarce das orquídeas Drácula; os insetos não eram enganados, a menos que a pétala não só exalasse o odor como também se parecesse como um cogumelo. (Talvez as moscas sejam um pouco mais inteligentes do que imaginamos). A um leigo a descoberta pode parecer insignificante; por que passar por tudo isso? Na verdade, entender exatamente como uma orquídea atrai um inseto é um passo importante na compreensão de como age a seleção natural e a evolução na natureza, o que por sua vez desempenha um papel crítico na conservação das espécies.

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As orquídeas verdadeiras estão no copo; a orquídea à direita foi impressa em 3D

“O mimetismo é um dos melhores exemplos de seleção natural que temos”, afirma Barbara “Bitty” Roy, professora de biologia e co-autora do estudo. “Como o mimetismo evolui é uma grande questão na biologia evolutiva. Neste caso, há cerca de 150 espécies dessas orquídeas. Como elas são polinizadas? Que tipos de conexões acontecem? Trata-se de um caso muito interessante onde essas orquídeas se conectam com todo um sistema em perigo. Este trabalho foi realizado na última bacia hidrográfica ainda não explorada no oeste do Equador, onde as florestas nebulosas estão desaparecendo a um ritmo alarmante”, revela a pesquisadora.

Temos visto a impressão 3D salvar vidas de seres humanos e animais; agora parece que a impressão 3D pode também desempenhar um papel importante na preservação de ecossistemas inteiros.

Fonte: 3DPrint.com

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