“A 4ª revolução industrial é caracterizada por trazer a possibilidade de uma pessoa utilizar várias tecnologias em benefício próprio. E isso significa dizer que a tecnologia da 4ª revolução, neste caso, passa a ser uma commodity, não mais o fim”. Essa fala ainda é bastante nebulosa para muita gente, afinal, estamos todos acostumados a enxergar a indústria como uma entidade sacra da economia, da qual dependemos para viver, e não o contrário, que basicamente é o uso que podemos fazer dela – justamente o momento que passamos a viver hoje. Com o avanço das novas tecnologias, de impressão 3D a drones, e principalmente pela convergência de todas elas – incluindo Big Data, IoT e até mesmo Realidade Virtual – todas passam a operar interconectadas e com custos cada vez menores. Talvez dito desta forma seja possível vislumbrar o que vem por aí na chamada “indústria 4.0”.

“A diferença clássica do mundo de 50 anos atrás para o mundo de agora é que temos a apresentação de sistemas chamados ciber-físicos, que são ambientes onde a internet conectada a esses dispositivos faz com que as pessoas tenham maior flexibilidade”, resume Jefferson de Oliveira Gomes, professor da divisão de Engenharia Mecânica-Aeronáutica do ITA e consultor da UNESCO especialista em manufatura avançada. A frase de abertura deste post também é dele. No primeiro semestre de 2016, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) e ao Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Jefferson Gomes coordenou e intermediou debates sobre os desafios e oportunidades para a manufatura avançada no Brasil com vistas à elaboração de uma Política Nacional de Manufatura Avançada.

Na época, foram realizados 7 workshops em diferentes capitais brasileiras, com a participação de cerca de 300 especialistas de empresas, ICTs e Governo. Durantes os eventos, foram sugeridas propostas em temas fundamentais para o avanço da manufatura avançada no Brasil: questões envolvendo regulação, infraestrutura, cadeias produtivas, recursos humanos e tecnologia. E do “Seminário Perspectivas de Especialistas Brasileiros sobre Oportunidades e Desafios para a Manufatura Avançada no Brasil”, foi compilado um PDF com os resultados desse trabalho.  

Lógica de Moore em cheque?



Em 1965, Gordon Moore, então presidente da Intel, cunhou a seguinte teoria: “um dólar investido em uma determinada potência computacional, daqui a 18 meses, comprará o dobro de potência computacional”. Foi algo que desde então passou a ser conhecido como “Lei de Moore”, dada a comprovação prática da tese. O reflexo direto disso, décadas depois, como vemos hoje em dia, é o barateamento do custo da tecnologia a um ponto em que ela pode sair até mesmo de graça – quantos frameworks e plataformas de rede social você usa sem pagar nada, por exemplo, e para ficar só neste exemplo? E claro, também o desempenho é cada vez assustadoramente maior. Basta imaginar que, em um simples aparelho celular, temos embarcado cerca de 500 vezes mais potência computacional do que a nave utilizada para levar o homem à lua na década de 1960. (!)

“Com o avanço da IoT, saímos de uma lógica tecnológica para a lógica econômica, porque passamos a ter a possibilidade de mudar o comportamento de qualquer tipo de empresa”, afirma o professor Jefferson Gomes. “Duas grandes corporações da indústria de automóveis, BMW e Volkswagen, já determinaram que seu produto principal não é fabricar automóveis, mas desenvolver mobilidade. E quando elas passam para a mobilidade como uma coisa importante, querem dizer que a lógica mudou. Agora estamos interessados em saber que tipo de gente irá comprar”. (Alguém pensou em Uber e Airbnb?). E disso podemos também depreender duas transformações importantes sendo impetradas pela impressão 3D: a “personalização da massificação”, e a fabricação de máquinas como commodities. E tudo isso com equipamentos interconectados – inclusive com “nuvens de drones” – para a tomada de decisões. Futuro? Nada disso.

Para os que acham essas previsões futuristas demais, é importante ressaltar que nada disso é “ficção científica”, mas já ocorre e paulatinamente vai se desenvolvendo em todos os segmentos industriais de ponta. Com o avanço da robótica, avançam também tecnologias de “autonomação”, qual seja, a combinação perfeita entre “autonomia” e “automação”, tal o poder computacional dos “robôs do futuro”. Basicamente, toda e qualquer tarefa que possa ser automatizada passará a ser atribuída a robôs, e não mais a humanos. O papel do ser humano nesse contexto será o de aperfeiçoar ainda mais a produção a partir da operacionalização de máquinas assistidas e orientadas por sensores e dispositivos para tomada de decisões. E essa é uma das razões pelas quais não iremos simplesmente “perder nossos empregos para os robôs”, mas passar a viver novas oportunidades de trabalho. Mais desafiadora com toda a certeza, mas que nos reserva, sem dúvida, uma possibilidade de renovação quase infinita. e se espalhando na indústria de uma maneira geral

Abaixo você confere a íntegra da palestra de Jefferson de Oliveira Gomes durante o Inside 3D Printing, onde ele apresenta seu trabalho junto à UNESCO com especialistas do mundo todo, inclusive o Brasil, sobre as perspectivas, oportunidades e desafios para a Manufatura Avançada no mundo:

 

 

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