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Muito se fala sobre como o avanço das novas tecnologias transformarão a indústria e o mercado de trabalho como conhecemos hoje. Em países como Alemanha e Estados Unidos, o tom da conversa já avança inclusive para a aplicação prática de um conjunto de normas visando a automação e competitividade em um contexto de Indústria 4.0. “No Brasil, caminhamos sempre para a frente, é verdade, porém devagar, precisamos acelerar”, desabafa Américo Craveiro, coordenador adjunto de pesquisa para inovação da FAPESP.

Craveiro sabe o que está dizendo. Recentemente, ao participar do lançamento de um “Edital de Pesquisa para o Desenvolvimento de Inovação em Manufatura Avançada”, em parceria com a FINEP, e com valor disponível de R$ 20 milhões para despesas de custeio e capital – cerca de R$ 1,5 milhão por projeto – o pesquisador conta que apenas 11 propostas foram apresentadas, sendo 7 enquadradas – das quais nem todas passarão para a fase final do edital, com resultado previsto para o final de maio. O que, invariavelmente, nos lança a questão: quantas startups, e mesmo empresas tradicionais, realmente sabem da existência de um fundo de apoio à pesquisa para inovação tecnológica no Estado de São Paulo?

Usamos o termo “startups” propositadamente, já que estas são as chamadas “empresas do futuro”, aquelas que podem se beneficiar de projetos que iniciam em áreas estratégicas de pesquisa científica e, a partir daí, começam a se desenvolver como empresas de bens, produtos ou serviços. E daí novamente a pergunta: quantas startups seguem, de fato, por esse caminho? Um caminho interessante porque baseado sobretudo em conhecimento científico aplicado, e com profissionais altamente especializados envolvidos em todas as etapas do processo.  

Infelizmente, poucas startups têm se dado conta disso no Brasil atualmente, uma questão que ajudou a motivar a realização do Workshop de Manufatura Aditiva promovido pelo IPT/USP, em março, em parceria com o CTI Renato Archer. O cientista Américo Craveiro, como coordenador adjunto de pesquisa para inovação da FAPESP, detalhou em sua palestra os 3 programas que representam os mecanismos de financiamento para que as startups possam avançar na Indústria 4.0 e Manufatura Avançada no Brasil.

Um deles é o PIPE (Pesquisa Inovativa na Pequena Empresa), que trata de projetos de pesquisa desenvolvidos em PMEs de até 250 funcionários, com aporte que vai de R$ 200 mil (Fase 1) a R$ 1 milhão (Fase 2). Craveiro conta que o PIPE tem apoiado um número crescente de projetos em automação, Big Data, computação em nuvem, Inteligência Artificial, IoT, Realidade Aumentada, Robótica e, claro, Manufatura Aditiva. O objetivo, contudo, é chegar a um nível de excelência na integração horizontal (chão de fábrica) com a integração vertical (cyber-física) e robôs autônomos, algo mais próximo do conceito de Indústria 4.0 que desejamos atingir no país.


Para isso, existem também outro programa da FAPESP, chamado PITE (Parceria para Inovação Tecnológica) onde projetos de pesquisa são desenvolvidos em parceria entre instituições de pesquisa paulistas e empresas localizadas no Brasil e no exterior. Já participaram dessa modalidade empresas como Natura, Embraer, Braskem e Telefonica. E finalmente o terceiro programa, recente de todos, é o CPE (Centro de Pesquisa em Engenharia), que tem por objetivo fomentar pesquisas de médio e longo prazo com alto impacto científico e tecnológico. Um deles é o “Centro de Pesquisa em Engenharia sobre Motores a Biocombustível”, em parceria com a Peugeot-Citröen e a Unicamp (com participação também de outras instituições, como Poli/USP, ITA e Instituto Mauá de Tecnologia, com valores contratados que somam R$ 32 milhões).

Assista à íntegra da palestra de Américo Craveiro durante o Workshop de Manufatura Aditiva no IPT/USP:

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