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“Entregar um trabalho no mercado é melhor do que tentar entregar um trabalho com perfeição e nunca finalizá-lo”. A afirmação vem do designer 3D Cícero Moraes, para quem dedicação e persistência servem como verdadeiros “mantras” em sua vida profissional. Autodidata, Cícero é, provavelmente, o designer 3D mais conhecido do Brasil no momento. Isso porquê acabou “ganhando fama” rapidamente quando o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre próteses 3D em animais [veja abaixo]. Cícero participou do projeto de duas delas: uma para um jabuti, outra para um tucano. Abaixo, um pouco da história do designer 3D que usa o software livre Blender em suas criações:

 

Cícero Moraes
A motivação para estudar reconstrução facial forense veio após um trauma sofrido durante um assalto em 2011.

O que te motivou a difundir o uso do Blender 3D no Brasil? E qual a importância do software livre para você?

O que me motivou foi o comportamento dos usuários. Quando comecei, em 2005,  tive a oportunidade de entrar em contato com um vasto material feito pelos membros da comunidade blenderiana. As dúvidas que surgiam eram rapidamente sanadas e isso criou um círculo virtuoso que me instigou a fazer o mesmo. Por conta disso me apetece criar material didático, principalmente para iniciantes. Sobre o software livre, que é o caso do Blender, sinto-me extremamente honrado e contente por trabalhar com esse nicho, onde o compartilhamento de informação é uma realidade constante. Trata-se de uma comunidade maravilhosa.

 

Dentre suas obras mais famosas estão a reconstrução da face de Maria Madalena e de Santo Antonio, duas figuras icônicas da Igreja Católica. Qual foi o ponto de partida para o seu envolvimento nesses trabalhos?

Blender
Cícero é um entusiasta do software livre Blender, que usa para criar suas reconstruções faciais em 3D.

Quando reconstruí o Santo Antônio eu não sabia que se tratava dele. Fui contratado pelo Museu de Antropologia da Universidade de Pádua para criar 27 reconstruções faciais que seriam exibidas em uma mostra. Recebi em seguida um crânio e as únicas informações às quais obtive conhecimento foram: “homem, caucasiano (branco), 30-40 anos”. Assim que entreguei a reconstrução básica, me informaram que era o casamenteiro. Depois disso reconstruí a face do beato, em um trabalho que durou cerca de uma semana para ser concluído. Depois entramos em contato com a Basílica de Santa Maria Madalene, na cidade de Saint-Maximin-La-Sainte-Baumee, interior da França, e recebemos o sinal verde para reconstruir um crânio que supostamente pertenceu à Maria Madalena. Mais recentemente, reconstruímos outros três santos, todos beatificados a partir de Lima, no Peru. Um desses santos é a Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina.

 

Por que você decidiu se especializar em reconstrução facial forense? Quais seriam as diferenças básicas entre a “reconstrução facial digital” e a “reconstrução facial digital forense”?

Blender
O processo de reconstrução facial envolve uma série de imagens capturadas do crânio analisado.

Eu sofri um assalto em 2011, levei um tiro de raspão na cabeça e fiquei deprimido. Passei duas semanas sem sair de casa. Durante o assalto, roubaram um computador e nele havia 5 minutos de um curta animado que deu o maior trabalho para fazer. Para esquecer esse episódio decidi estudar reconstrução facial forense, pois desejava aprender sobre esse campo desde pequeno. Trata-se de uma ciência que, basicamente, une o visual ao investigativo e ao histórico de uma pessoa, e isso sempre me encantou. O termo “forense” vem da reconstrução facial que a polícia faz para auxiliar na identificação de um crânio desconhecido. Já as reconstruções faciais digitais são representadas pelas reconstruções históricas e arqueológicas.

 

Você é um artista 3D autodidata. O que diria para os inúmeros iniciantes e entusiastas de Design 3D que desejam se profissionalizar na área?

Estudem bastante, foquem na área que desejem atuar, escutem as críticas construtivas e ignorem aquelas infundadas. Entregar um trabalho no mercado é melhor do que tentar entregar um trabalho com perfeição e nunca finalizá-lo.

 

Qual foi a obra de reconstrução facial digital que deu mais trabalho para fazer e porquê?

A primeira, por que eu estava morrendo de medo que ficasse ruim… e ficou mesmo! Sem problema, pois até hoje o que eu faço tem muitos defeitos. Tento resolvê-los aos poucos, mas já me resignei com o fato de que sempre um ou outro estará presente na obra.

 

Poderia deixar sugestões de livros, sites, tutoriais e cursos online para quem deseja se especializar em Design 3D?

Daqui a alguns dias lançarei o Manual de Reconstrução Facial 3D Digital, um ebook que escrevi com o Dr. Paulo Miamoto, especialista em Odontologia Legal, que será disponibilizado gratuitamente no meu site. São quase 400 páginas escritas com muito carinho, principalmente para aqueles que estão começando na área da computação gráfica. Para baixá-lo basta que o interessado se cadastre em: http://www.ciceromoraes.com.br/ebook/

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