O sucesso comercial de uma empresa está associado à sua habilidade em identificar as necessidades dos clientes e, rapidamente, desenvolver produtos que possam atendê-las. Dentre todas as atividades envolvidas no processo de desenvolvimento de produtos (PDP), a utilização de protótipo físico é essencial para melhorar a comunicação entre as equipes envolvidas no processo, de modo a reduzir a possibilidade de falhas e melhorar a qualidade do produto, atendendo aos requisitos dos usuários”. 
neri-volpatoEsse é um trecho da introdução do livro de Neri Volpatoprofessor há mais de 20 anos no Curso de Mestrado em Engenharia Mecânica e de Materiais da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e também no curso de Engenharia Industrial Mecânica da mesma universidade. Tamanha bagagem acadêmica e de pesquisa demonstram a seriedade e comprometimento do professor Neri ao lançar sua nova obra, intitulada “Manufatura Aditiva – Tecnologias e Aplicações da Impressão 3D”, disponível desde julho deste ano no Brasil (veja link no final da matéria para comprar o livro com 20% de desconto). Como você observará na entrevista abaixo, Neri considera sua nova obra uma evolução natural da primeira, “Prototipagem Rápida”, de 2007, agora atualizada com informações aprofundadas a respeito de processos e aplicações na impressão 3D.

3DPrinting.: A sua parceria com a editora Blücher é antiga, remonta pelo menos de 2007, quando lançou seu primeiro livro, “Prototipagem Rápida”. Evidentemente que você é um apaixonado pelo tema, mas sabemos que lançar um livro demanda muito trabalho e esforço. Sendo você também já um professor nessa área, o que te motivou a levar adiante a ideia de escrever o livro?

Neri Volpato.: Bom, a motivação inicial, já no primeiro livro – “Prototipagem Rápida”, de 2007 – era divulgar as tecnologias e auxiliar na formação de pessoal. No entanto, eu já estava ficando muito incomodado em usar o livro anterior, pois muita coisa nova tinha acontecido [de lá pra cá]. Ainda há pouco tempo eu me deparava com pessoas mencionando sobre terem descoberto um livro sobre manufatura aditiva/impressão 3D em português. Me frustrava o fato de apresentar estas tecnologias a alguém utilizando  conceitos e definições desatualizados [referência à edição de 2007]. Essa foi a principal motivação para este segundo livro.

 

3DPrinting.: Como se deu a escolha dos autores? E como eles contribuíram com cada capítulo do livro?
Neri Volpato.: Por estar atuando na área desde o início aqui no Brasil, eu conheço grande parte do pessoal trabalhando na área, principalmente os pioneiros, eu diria. Sendo assim, já tínhamos uma rede de contato iniciada no primeiro livro. Obviamente, esta rede se ampliou com o tempo. Sendo assim,


“Tendo definido o escopo inicial, convidei pessoalmente um autor para liderar cada capítulo do livro, de acordo com a experiência de cada um nas diferentes tecnologias e  aplicações”


Cada autor responsável ficou livre para convidar ou não co-autores em [seus respectivos] capítulos. Os autores responsáveis por cada tópico de interesse também poderiam se candidatar para participar de outros capítulos, se assim desejassem. Por fim, houve duas rodadas de revisão internamente no grupo, onde cada capítulo foi repassado por, pelo menos, dois autores de referência mas sem relação com a publicação.



“Estou relatando este processo para poder afirmar que todo o grupo contribuiu – uns mais, outros menos, claro – mas não somente em seus respectivos capítulos. Posso afirmar então que o livro representa a posição e opinião de um grupo de profissionais atuantes da área.”

Por fim, naturalmente não estão no livro todos os profissionais envolvidos em manufatura aditiva no Brasil: provavelmente, na próxima edição o número de participantes deverá aumentar.

 

3DPrinting.: Qual o estágio atual da manufatura aditiva no Brasil? Aonde estamos agora e o que está por vir nos próximos 10 anos?

 

Neri Volpato.: Acredito que estamos passando a fase da euforia com a tecnologia – aquela fase da “novidade” – e caminhando para a fase de procurar aplicações reais, além da já bastante consolidada aplicação em prototipagem. Isto tem acontecido desde as empresas até usuários, digamos, mais caseiros (conhecido popularmente como “makers”).

“Principalmente nas empresas, os profissionais estão  se convencendo que a manufatura aditiva é mais um processo de fabricação que precisa ser entendido para poder ser avaliado quanto à sua aplicação”


Ou seja, estão identificando aonde esta [tecnologia] realmente pode contribuir com o produto em questão. Acredito que esta tendência tende a crescer muito nos próximos anos.  Mas como as tecnologias – processos, materiais, precisão etc – ainda estão evoluindo muito rapidamente, não me arriscaria a dizer o que vem, mas sim que, com certeza, teremos ainda muito mais novidades or aí.

3DPrinting.: Qual o grande desafio no fomento de tecnologias de impressão 3D no Brasil? Na sua visão, quais os entraves que ainda prejudicam o crescimento exponencial da área (considerando o resto do mundo) no país? E o que poderia ser feito para melhorar esse cenário?

 

“Acredito que ainda precisamos divulgar mais essas tecnologias e treinar os nossos profissionais que já estão no mercado. Paralelamemte, as Universidades precisam incluir as mesmas em seus cursos, em todos os níveis. Acredito que o livro pode ajudar bastante nesses dois sentidos.”

 

Neri Volpato.: Adicionalmente, para reduzir a grande dependência externa que temos, é preciso uma política de investimento em pesquisa e desenvolvimento, principalmente em tecnologias de maior valor agregado, destinadas à produção de componentes com maior grau de exigência na sua aplicação. Precisamos desenvolver materiais, incluindo recursos locais se possível, que tenham qualidade adequada e a um custo compatível.

 

3DPrinting.: O que você diria para estudantes de Engenharia, ou mesmo outras áreas, que aos poucos têm despertado o interesse para a impressão 3D?

 

Neri Volpato.: Procurem se aprofundar mais no conhecimento dos diferentes processos, entendendo suas características em termos de materiais disponíveis, suas  propriedades, precisão,  limitações, etc. Só assim poderão tirar as reais vantagens dos mesmos. E para aqueles menos “técnicos”, simplesmente eu diria,  aproveitem esta “nova ferramenta” e a liberdade que ela oferece para inovar.

 

3DPrinting.: Qual processo de manufatura aditiva encontra-se mais avançado no Brasil atualmente e porquê?

Neri Volpato.: Acredito que sejam os processos que envolvem o princípio de extrusão de material – baseados na tecnologia de Modelagem por Fusão e Deposição, popularmente conhecida como FDM – presente na grande maioria das impressoras 3D de baixo custo. O motivo certamente está ligado ao baixo custo do equipamento e do insumo utilizado.

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