A pequena Ivaiporã, no interior do Paraná, acaba de ganhar um presente em tanto que trará certamente mais segurança para a cidade: trata-se de um sistema que emprega tecnologia 3D de modelagem de dados e imagens para análise de acidentes. Batizado de “Sistema de Análise de Acidentes de Trânsito Baseado em Fotogrametria”, em alusão à tecnologia usada no desenvolvimento, o projeto partiu de um grupo de empreendedores das áreas de design, engenharia e publicidade.

A escolha de Ivaiporã para desenvolver o projeto, ainda em fase experimental, não foi por acaso. “A cidade já possui um semáforo inteligente da Seebot. Assim teríamos acesso às câmeras de segurança com os dados necessários para o teste inicial”, conta Cícero Moraes, premiado designer especialista em modelagem 3D. “Tem várias câmeras nesse semáforo e o trânsito é bastante intenso”, diz, ao comentar sobre a escolha do trecho onde foi instalado o sistema.

Como funciona


As câmeras fornecem os dados monoculares das pistas de tráfego a partir de um ponto de vista fixo e conhecido. A equipe de especialistas então digitaliza toda a área no entorno, usando a técnica de fotogrametria – que trata-se, basicamente, de um escaneamento 3D feito a partir de imagens – através de dois drones: um modelo Phanton, com 4 hélices e que funciona quase como um helicóptero, com uma câmera flexível acoplada e autonomia de 20 minutos de vôo. E o VANT, que opera como um avião, com autonomia de 80 minutos de vôo e câmera fixa apontando sempre para baixo.

Esses dois equipamentos permitem fotografar e enviar as imagens da área do entorno do semáforo para um programa que converterá as fotos em um arquivo 3D condizente com o terreno – destacando relevo,  pistas, vegetação parcial, construções etc.

 

Câmera de segurança + câmera digital



Em seguida, o arquivo 3D é alinhado com os filmes das câmeras, de modo a ter uma ideia absolutamente precisa de onde estavam os veículos no momento em que trafegavam na pista. Esse alinhamento fornece as informações de tempo e espaço em que os eventos aconteceram.

A técnica de fotogrametria permite inclusive que os veículos envolvidos no acidente sejam digitalizados, aumentando ainda mais as informações documentais que podem ser usadas para compreender com precisão a dinâmica do “sinistro” – jargão jurídico da palavra acidente. O objetivo do desenvolvimento do sistema é disseminar a técnica a policiais ou guardas de trânsito para que utilizem esses conhecimento ao gerar a documentação e fornecer subsídios para um laudo robusto e preciso de acidentes de trânsito.

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Como o levantamento dos dados está inserido em um ambiente 3D, especialistas de diferentes áreas de atuação poderão usar tecnologias como a realidade virtual para colocar os peritos dentro da cena do acidente ou mesmo dentro do carro, e acompanhar dados espaciais e dinâmicos que seriam possíveis apenas se fosse feita uma reconstituição real na cena do evento; no entanto, isso quase sempre é impossível, posto que o local tem constante tráfego. Além do problema da logística, em uma reconstituição os veículos dificilmente seguiriam o trajeto original com a acurácia compatível.

Captura de tela de 2017-08-08 11-32-27

Como se trata de software livre e gratuito, as instituições que lançarão mão dessa tecnologia não precisarão investir numerário para utilizá-la e mantê-la.

Caso a tecnologia seja usada em ampla escala pelas instituições interessadas, podemos vislumbrar um cenário de monitoramento de tráfego em toda a malha urbana de uma cidade, por exemplo, bem como o incremento indireto de tecnologias voltadas a cidades inteligentes. Outros usos para a tecnologia incluem a digitalização de acidentes de grandes proporções (construções, desastres aéreos etc), documentação arquitetônica (cidades históricas, para arquivo e eventual reconstrução, como Goiás velho) e também no acompanhamento de erosão de grandes terrenos, muito comum em regiões de difícil acesso no interior do país.


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