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Foi em 2012 que surgiu a ideia de buscar novas parcerias entre institutos acadêmicos e iniciativa privada para fomentar a inovação no Brasil. Mas foi só em setembro de 2014 que a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) saiu do papel. Criado com o objetivo de diminuir o risco de investimento em inovação das empresas brasileiras, o órgão contempla parcerias com 42 instituições de pesquisa credenciadas, entre elas, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), sediado na USP, e o Senai Unidade Joinville, em Santa Catarina.

O que chama a atenção na Embrapii é a rapidez com que os projetos são aprovados e também acompanhados de perto por técnicos e especialistas em cada área específica de atuação. “O tempo de negociação pode ser bastante curto, já tivemos negociações que duraram apenas 17 dias. São negociações rápidas porque não são feitas a partir de edital”, conta Flávia Motta, que desde 2013 é responsável pela coordenação e gestão da Unidade Embrapii IPT/USP. “É uma forma de trabalhar bastante diferente dos outros fomentos, muito mais focada em atender e contratar rapidamente o que a empresa precisa desenvolver”, explica.

Basicamente, funciona da seguinte forma: a Embrapii recebe o recurso do governo federal – atualmente estimado em R$ 1,5 bilhão no total – e repassa o valor para as ICTs, como é chamada a Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação capaz de conduzir projetos em áreas específicas para empresas dos mais diversos setores, entre eles manufatura a laser e desenvolvimento de novos materiais, como é o caso do IPT. “A Embrapii gerencia todo o processo de desenvolvimento para saber se está caminhando na direção correta entre as partes envolvidas, atendendo prazo e orçamento, por exemplo”, conta Flávia Gutierrez Motta. Cerca de um terço do valor aportado são recursos não reembolsáveis, enquanto os dois terços restantes passam por uma negociação entre empresa e ICT correspondente.

Para ser Embrapii, o projeto candidato precisa estar dentro da área de competência da instituição. Tem que ser realizado pela ICT, obrigatoriamente envolver inovação e também atender à demanda de uma indústria específica. Vale lembrar, portanto, que a Embrapii não financia pesquisa básica ou equipamentos e instalações. Também não possui bolsa de formação e não apoia eventos científicos. O que o órgão financia é o desenvolvimento do projeto em si, como bem explica Flávia na palestra sobre o Embrapii durante encontro realizado no IPT/USP em março deste ano. [veja abaixo]

Considerando dados poucos animadores no desenvolvimento da indústria de Manufatura Aditiva no país, onde não ostentamos ainda nem 1% perto dos países mais desenvolvidos, a iniciativa da Embrapii surge como uma espécie de luz no fim do túnel, capaz de unir pesquisa e desenvolvimento, academia e indústria.

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