Como nasce o processo de produção de uma peça industrial criada exclusivamente por manufatura aditiva? Como definir se é mais vantajoso valer-se de um molde produzido por usinagem ou empregar impressoras 3D na linha de frente? A resposta para essa pergunta certamente envolve uma equação matemática, mas é também mister compreender a lógica por trás dela.

O engenheiro mecatrônico Alex Borro trabalha na 3M do Brasil, divisão de Sumaré, no interior de São Paulo, em um lab que presta serviço de eletrônica, mecânica e software para as divisões internas da multinacional. Um dos pontos fortes da 3M é a fabricação de produtos para a linha automotiva – tudo que envolve polimento e “embelezamento” para carros, basicamente – sendo que a empresa conta também com engenheiros que trabalham em campo para prospectar demandas de oficinas que atendem o setor, carentes de soluções para problemas específicos.

Uma dessas soluções levou à criação do Sistema Aspirado Venturi para remoção de pó em processos de lixamento automotivo. Uma ideia que virou produto: porque não usar algo que toda oficina possui – equipamento de ar comprimido – para gerar uma linha de vácuo? “A ideia a princípio pode parecer curiosa, mas é baseado no chamado “efeito Venturi”, que é o que faz, por exemplo, o avião voar”, explica Alex. “A ideia era oferecer para as oficinas um produto onde fosse possível usar algo que todas já possuem normalmente (ar comprimido) para gerar vácuo, e com isso fazer toda a sucção de aspiração”.

3m

Protótipo criado por impressora 3D que tornou-se produto final para comercialização


Alex conta que tudo começou com a prototipagem da peça no laboratório que, de tão “perfeita” em termos funcionais, acabou se tornando produto final. Após um mês de testes e ajustes, surgiu a questão: porque não usar manufatura aditiva na linha de produção, em vez da injeção ou usinagem para chegar à solução final? “O principal ponto da manufatura aditiva é a baixa escala”, argumenta o engenheiro mecatrônico. “Quem precisa de 10 mil peças em um dia, é evidente que não vai usar uma impressora 3D para isso. Agora, para uma demanda de 50, 100, 200 peças por mês, a impressora 3D atende muito bem como solução”. O raciocínio é simples: enquanto uma máquina injetora custa algo em torno de R$ 300 mil, uma impressora 3D das mais sofisticadas para uso comercial custaria 10 vezes menos. Por consequência, para fazer valer o investimento em uma injetora, só mesmo uma produção em larga escala, em que o valor do produto final  – da ordem de milhares por dia, por exemplo – diluiria a parte investida em uma máquina para produção em larga escala.

Assista abaixo ao vídeo de Alex Borro onde o engenheiro explica e comenta como foi a produção do Sistema Aspirado Venturi, da 3M, e o uso da impressora 3D para lançar a solução no mercado brasileiro:

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