Imagine que você seja um artista plástico em busca de novas experimentações de materiais para criar esculturas, por exemplo. E resolve mergulhar uma peça impressa em 3D com ABS em acetona pura. Só um mergulho simples e rápido mesmo – usando luvas de proteção ou alguma ferramenta para segurar a peça, sempre bom lembrar – e a peça sai com a elasticidade de uma borracha, absolutamente flexível e maleável. O resultado da experiência pode ser altamente satisfatório, a depender da habilidade do artista com detalhes, evidentemente, mas garantirá uma peça ainda mais “exclusiva” e “personalizada” ao final do processo. As duas palavrinhas mágicas não estão entre aspas por acaso: são termos recorrentes e bastante debatidos na indústria 4.0.

Mas… como chegar nesse “estado da arte”? Que proteções tomar para finalizar e fazer o acabamento em peças impressas em 3D? Cláudio Luís Marques Sampaio, conhecido por “Patola” entre a comunidade open source de impressão 3D, há tempos testa métodos e materiais para catalogar os melhores resultados em termos de acabamento de impressão. Patola dividiu seus conhecimentos em um evento realizado na segunda-feira passada, 31 de julho, no Maker Bar, em São Paulo. 

Neste post, destacaremos algumas observações feitas por ele ao longo da apresentação no vídeo abaixo, de aproximadamente 1h30 de duração. Vamos a elas:

Das proteções sempre recomendadas antes de tudo, vale destacar:

– Luvas
– Óculos especiais
– Máscara de poeira
– Máscara de gás
– Botas de borracha

Entre as principais ferramentas manuais, destacam-se:

– Estilete
– Alicate de unha
– Alicate de ponta fina
– Alicate de ponta extra longa
– Alicate de corte diagonal
– Alicate de corte frontal
– Alicate de pressão
– Morsa multi-articulada
– Rebarbadora manual
– Lixas
– Limas

Rotatórias


Rotatória é uma espécie de mini-retífica que se assemelha a uma furadeira com adaptador giratório na ponta, e que faz um trabalho semelhante ao das lixas. É ideal para peças em PLA, material com baixo ponto de fusão – em torno dos 60ºC. Deve-se usá-la com muito cuidado na peça, e em baixa rotação, para retirar apenas os excessos, sob pena de derreter a peça devido ao calor gerado com o movimento de fricção da ferramenta em contato com o plástico.

Térmicas

Retouch 3Dé a dica para fazer pequenos reparos nos mínimos detalhes. A caneta possui uma ponta de metal que ajuda a eliminar suportes com toda a delicadeza possível. É uma ferramenta que custa aproximadamente US$ 150, destaca Patola. Para os que quiserem criar algo semelhante ao “ferro de solda”, ele sugere uma ferramenta usada por dentistas e protéticos chamada “gotejador elétrico” – adquirido no AliExpress por cerca de US$ 40, segundo ele. Possui duas pontas e funciona bem, semelhante ao Retouch 3D. É excelente para acabamentos finos.

Acabamento químico


O acabamento químico, como o próprio nome sugere, refere-se ao uso de substâncias de químicas, como a acetona pura – não vale a da farmácia, já adiantamos! – para finalizar trabalhos realizados em impressoras 3D FFF. É importante lembrar também que, para alguns solventes, como a própria acetona pura, é preciso autorização de compra por parte da Polícia Federal uma vez que se trata de um solvente usado em uma das etapas do refino da cocaína. Por conta disso, há limite de consumo mensal de até 2 litros.

Já o clorofórmio possui uma ação narcótica forte, podendo causar danos ao sistema nervoso central. Portanto é absolutamente imprescindível tomar todas as medidas de segurança necessárias antes de manusear qualquer solvente, tais como: usar jaleco, bota de borracha e luvas de nitrilo.

 

Métodos e alternativas


A caneta de acetona, que custa cerca de US$ 5 dólares, ajuda a fazer pequenos reparos em peças impressas. É uma forma de aplicar uma camada bem fina de solvente no local da impressão. Alguns métodos incluem:

– Imersão concentrado
– Imersão diluído
– Aplicação com pincel ou caneta especial
– Banho de vapor frio
– Banho de vapor aquecido

A quem preferir, Patola cita também a MagicBox, que borrifa um “banho” de névoa de acetona fria para acabamento de peças impressas, mas que só funciona com acetona fria. Este equipamento também pode ser substituído por um aerógrafo, como aliás é o que já acontece há bastante tempo no mercado.

Para quem quiser conferir a palestra na íntegra:


E para quem quiser conferir os slides:

Um comentário para “Finalização e acabamento em peças impressas em 3D

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