O Arduino nasceu em 2005 no Interaction Design Institute, na cidade de Ivrea, Itália, como uma ferramenta para prototipagem rápida, fácil de usar, e projetada para estudantes sem experiência em eletrônica ou programação. Rapidamente o projeto floresceu pelo mundo, e não demorou para que o computador single-board logo começasse a passar por upgrades a fim de adaptar-se às novas necessidades e desafios do mercado de tecnologia. Foi assim que, de placas simples de 8 bits nos primeiros anos, o Arduino evoluiu para produtos projetados para servir a aplicativos IoT, wearables, computação embarcada e claro, impressão 3D.

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Para quem ainda não conhece muito bem, todas as placas Arduino são open source, e por conta disso permitem o uso de forma independente e eventual para serem adaptadas às necessidades dos usuários mais exigentes. Um deles é o projetista industrial Alexandre Aravecchia, conhecido maker no mundo open source, que teve a ousadia de pensar o uso do Arduino em corrente alternada, saindo do trivial “piscar luzinhas” a que estamos tão acostumados (ainda). Disso também já podemos depreender o quão promissora é a plaquinha, ao pensarmos que foi concebida, lá atrás, como uma ferramenta para prototipagem rápida. Mas não só. Seu uso na indústria também pode sinalizar um enorme avanço em termos de inovação.

Quer dizer que é possível fazer uso também profissional do Arduino, digamos, para além da simples ideia de “prototipagem rápida” do passado? A resposta é sim, o Arduino pode ser empregado em projetos industriais complexos, e com custo consideravelmente baixo combinado a uma altíssima flexibilidade de uso em criações inovadoras. Mas, com um porém muito sério envolvido na brincadeira: “Quando falamos de correntes elevadas, erros não são admissíveis. Então não é aquela coisa que estamos acostumados a fazer com Arduino na protoboard: ‘ah, se isso aqui estiver errado, é só uma faísca, não tem problema’. Aqui não se pode errar, já que o erro na maior parte das vezes pode ser fatal”, explica Aravecchia.

“Quando falamos de correntes elevadas, erros não são admissíveis. Então não é aquela coisa que estamos acostumados a fazer com Arduino na protoboard: ‘ah, se isso aqui estiver errado, é só uma faísca, não tem problema’. Aqui não se pode errar, já que o erro na maior parte das vezes pode ser fatal”


Logo, como bem frisa ele, é preciso ter excelentes conhecimentos de eletrônica aplicada para lidar com correntes elétricas industriais, e também de matemática, para calcular,  projetar e programar todos os inputs e outputs do Arduino e obter resultados realmente fantásticos. Um deles, por exemplo, é transmitir e armazenar dados. O outro, seriam controladores lógico programáveis (CLPs) ultramodernos, de baixo custo e com mais recursos que os modelos antigos, convencionais (e mais caros, ainda hoje em dia). É o caso do Controllino, que chega a custar 3 vezes menos que um CLP industrial padrão de mercado e com recursos limitados.

O que é fato, contudo, é saber que o Arduino pode controlar máquinas de potências maiores, com tensões variando entre 220V e 760V, e correntes de 1 a 100A. Para efeito de comparação, carregadores de celular geram corrente de 1A a 5 volts. A carga necessária para a morte por eletrocução é de 7 miliamperes (ou seja, 0,007A), durante apenas 3 segundos. Ou seja, há riscos altíssimos envolvidos, mas, como mostra Alexandre Aravecchia em sua palestra durante a Latinoware 2017, existem muitos métodos – corretos e seguros! – para lidar com correntes elétricas industriais, desde que sejam analisados e compreendidos seus riscos e limitações:

Clique aqui para acessar também os slides da palestra.

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