Como a impressão 3D tem revolucionado a reabilitação de pés diabéticos

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De acordo com dados da OMS, a cada 30 segundos um paciente perde um membro devido ao diabetes, em todo o mundo. Cerca de 7 em cada 10 amputações de membros inferiores são realizadas em pacientes diabéticos. Estima-se que, até 2025, a população de diabéticos na China irá aumentar em 100%. Todos esses dados, lidos sequencialmente, são alarmantes, para se dizer o mínimo. A boa notícia, contudo, é que mais uma vez a impressão 3D – ou manufatura aditiva – terá um papel decisivo na transformação desse mercado. No caso, o mercado específico de próteses e órteses ortopédicas.

É bem verdade que os principais casos envolvendo impressão 3D e Biomecânica – muitos dos quais noticiados aqui no 3DPrinting – a maioria é associada à amputação de membros superiores, quais sejam, mão, braço e antebraço. Um trabalho pioneiro no Brasil que, por sinal, tem inspirado outros profissionais da área a inovar a partir do conhecimento adquirido tanto em laboratório, como em pesquisas de campo e no contato diário com os pacientes.

Um desses profissionais é o Dr. Israel de Toledo, especialista em reabilitação de amputação parcial de pés (membros inferiores). Antes de introduzir o tema, porém, é importante salientar que a amputação de membros inferiores atinge, principalmente, a população de diabéticos, tendo como consequência um altíssimo risco de morte prematura dos pacientes nessas condições. Isto posto, é de se supor a importância de buscar todas as técnicas e tecnologias disponíveis na Medicina Ortopédica atual para evitar uma amputação, ou diminuir ao máximo a área a ser afetada por uma intervenção cirúrgica em razão do diabetes.

“Quando se pensa em projetar qualquer coisa para o membro inferior, é preciso entender, antes de tudo, a questão da Biomecânica envolvida no contexto como um todo”, explica o Dr. Toledo, que atualmente é especialista tanto em pés quanto em palmilhas ortopédicas, criadas com base em um modelo 3D personalizado.

“O desafio é encontrar uma solução absolutamente singular, na medida em que deve ser feita sob medida para cada paciente”

Dr. Israel de Toledo também é enfático ao concluir que, quando não se dá a devida atenção à Biomecânica, a consequência muito provavelmente será a amputação do membro inferior, no caso de pacientes com diabetes. E isso porque, da forma como são realizadas as cirurgias convencionais de amputação nesses casos, o ortopedista não tem outra saída senão pautar-se por soluções padronizadas de próteses disponíveis atualmente. O resultado trágico desse processo tradicional é que não se leva em conta a especificidade da anatomia de cada paciente.

Algo que, com a impressão 3D de materiais especiais, abre caminho para uma nova fronteira no tratamento de casos de ortopedia envolvendo amputação e diabetes. A ideia aqui é que a intervenção cirúrgica no pé seja a menos invasiva possível, ou seja, quanto menor a área de amputação do membro inferior, maior a qualidade de vida do paciente. E isso se deve há inúmeros fatores, entre eles a difícil reabilitação desses pacientes.

No ano passado, Dr. Israel de Toledo palestrou sobre o tema durante o encontro “I Escola de Inverno de Biomecânica da UNIFESP”, e o vídeo com a íntegra da palestra dele você confere abaixo:

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